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Noam Chomsky: o império contra o demasiado independente e desobediente Irã

Por Kourosh Ziabari, 27 de Maio de 2009

Noam Noam Chomsky não precisa de apresentação. De acordo com o The Guardian, trata-se, indiscutivelmente, do catedrático e analista sócio-político mais importante da era contemporânea e está considerado junto a Marx, Shakespeare e a Bíblia, como uma das dez fontes mais citadas da humanidade, e é também o único escritor, entre eles, que ainda está vivo.

Em referência ao livro Hegemonia e Sobrevivência de Chomsky, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dirigindo-se à Nações Unidas, disse: “Convido-os, com todo o respeito, a quem ainda não tenha lido o livro, a que o façam.”

Em resposta à pergunta formulada numa entrevista em 2006 sobre que ações tomaria se fosse presidente, Chomsky respondeu: “Instauraria um Tribunal de Crimes de Guerra para os meus próprios crimes pois caso tivesse assumido essa posição teria que tratar com a estrutura institucional e com a cultura, a cultura intelectual. A cultura deve ser curada”.

Nesta entrevista, conversei com o professor Chomsky sobre o Irã, os assuntos nucleares, as relações entre Washington e Teerã e o impacto global dos lobbies sionistas. Um resumo desta conversa foi primeiramente publicado no diário iraniano de língua inglesa “Teheran Times”.

Kourosh Ziabari – Professor Chomsky, o senhor tem reiterado em numerosas ocasiões que a maior parte dos países do mundo, incluindo os membros do Movimento dos Países Não Alinhados, apóia o programa nuclear iraniano, no entanto, os neoconservadores dos Estados Unidos continuam a proclamar o seu lema agressivo.

Noam Chomsky – O Movimento dos Países Não Alinhados, mas também a grande maioria dos americanos pensa que o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear. Todavia, quase ninguém nos Estados Unidos tem consciência disso. Isto inclui todos aqueles que são inquiridos e que provavelmente acreditam que são os únicos que pensam assim. Nunca se publica nada sobre este tema. O que aparece constantemente nas mídias é que a comunidade internacional exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio. Em quase nenhum meio se explica que a designação “comunidade internacional” é utilizada convencionalmente para se referir a Washington e a quem estiver de acordo, não só sobre este assunto mas em geral.

Kourosh Ziabari – A maioria dos analistas de assuntos internacionais ainda não pôde assimilar o duplo critério nuclear do governo dos Estados Unidos. Apesar de apoiar o arsenal atômico de Israel continua a pressionar o Irã para que suspenda os seus programas nucleares. Quais são as razões? Possui a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) autoridade suficiente para investigar os casos de armamento nuclear em Israel?

Noam Chomsky – O ponto fundamental foi explicado com franqueza por Henry Kissinger. O Washington Post perguntou-lhe por que razão ele agora afirma que o Irã não necessita da energia nuclear e que, por conseguinte, deve estar a trabalhar para construir uma bomba, enquanto em 1970 insistiu que o Irã necessitava de ter energia nuclear e que os Estados Unidos deviam prover o xá com os meios necessários para o conseguir. Foi uma resposta típica à Kissinger. Era um país aliado e, por isso, precisava de energia nuclear. Agora, que já não era um país aliado, não necessitava de energia nuclear. Israel, pelo seu lado, é um país aliado, mais precisamente um Estado-cliente. Por isso, herda do amo o direito a fazer o que quer.

A AIEA possui a autoridade, contudo os Estados Unidos nunca permitiriam que a exerça. A nova administração dos Estados Unidos não tem dado provas de nenhuma alteração nesse sentido.

Kourosh Ziabari – Existem quatro estados soberanos que ainda não ratificaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e que desenvolvem livremente bombas atômicas. Será o Irã libertado das pressões constantes; deve obter a sua ratificação e abandonar o tratado?

Noam Chomsky – Não, isso só faria aumentar as pressões. Excluindo a Coréia do Norte, todos esses países recebem apoio extensivo dos Estados Unidos. O governo de Reagan, fingia ignorar que o seu aliado Paquistão desenvolvia armas nucleares, para que a ditadura recebesse ajuda massiva dos Estados Unidos. Também os Estados Unidos, aceitaram ajudar a Índia a desenvolver as suas instalações nucleares; Israel é um caso especial.

Kourosh Ziabari – Que prováveis fatores poderiam dificultar a realização de conversações diretas entre o Irã e os Estados Unidos? É maior a influência do lobby judaico do que a dos sistemas empresariais dos Estados Unidos?

Noam Chomsky – O lobby judaico tem alguma influência mas é limitada. Isto foi demonstrado, uma vez mais, no caso do Irã no verão passado, durante a campanha presidencial, quando a influência dos lobbies se encontrava no seu apogeu. O lobby israelita pretendia que o Congresso aprovasse uma legislação que se aproximasse de um ato de bloqueio ao Irã, um ato de guerra. A medida obteve um apoio considerável, mas desapareceu de imediato, provavelmente devido à Casa Branca deixar bem claro, discretamente, que se opunha.

Quanto aos verdadeiros fatores, ainda não temos registros suficientes, de modo que é necessário especular. Sabemos que a grande maioria dos americanos quer ter uma relação normal com o Irã, mas a opinião pública raramente influencia a política. As grandes companhias dos Estados Unidos, incluindo as poderosas empresas de energia, gostariam de explorar os recursos petrolíferos do Irã. Contudo, o Estado insiste no contrário. Suponho que a razão principal é que o Irã é demasiado independente e desobediente. As grandes potências não toleram aquilo que eles consideram ser parte dos seus domínios e as regiões de maior produção de energia do mundo há muito que são consideradas domínio da aliança anglo-americana, agora com o Reino Unido reduzido a sócio subalterno.

Kourosh Ziabari – Haverá uma transformação tática ou sistemática na aproximação dos principais meios de comunicação social ao Irã durante a presidência de Obama? Podemos esperar uma redução da propaganda anti-Irã?

Noam Chomsky – Em geral, as mídias aderem ao sistema geral da política de Estado embora algumas vezes os programas políticos sejam criticados com fundamentos táticos. Muito irá depender, portanto, da postura que assuma o governo de Obama.

Kourosh Ziabari – Finalmente, acredita que o presidente dos Estados Unidos deveria seguir a proposta do Irã e pedir desculpa, pelos seus crimes históricos contra o Irã?

Noam Chomsky – Creio que os poderosos sempre devem reconhecer os seus crimes e pedir desculpa às vítimas e ainda reparar os danos causados. Infelizmente, o mundo rege-se maioritariamente pela máxima de Tucidides: os fortes fazem o que querem e os fracos sofrem como lhes é devido. Lentamente, a pouco e pouco, o mundo, em geral, torna-se mais civilizado. Mas ainda tem muito caminho a percorrer.

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Homenagem a Mario Benedetti e Edgar Rodrigues

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edgar

Com um pouco de atraso, faço essa humilde homenagem para dois grandes homens que nos deixaram neste mês de maio: o uruguaio Mario Benedetti e o luso-brasileiro Edgar Rodrigues. Bendetti, o “poeta do compromisso”, faleceu no último dia 17 de maio, domingo, aos 88 anos e Edgar, historiador autodidata e militante anarquista, no dia 14, também aos 88 anos.

Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema, e recebeu os prêmios José Martí (2001) e Menéndez Pelayo (2005).

Estava trabalhando em um novo livro “Biografia para encontrar-me”, que deixou incompleto.

Edgar escreveu cerca de 40 livros sobre História social brasileira e portuguesa e colaborou com diversas publicações libertárias.

Benedetti e Edgar: presentes!

Leia uma entrevista com Edgar Rodrigues

Tática e estratégia de Mario Benedetti (1920-2009)

Minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados
para que entre os dois

não haja cortinas
nem abismos

minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.

Ocupação da Reitoria da UEFS continua…

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Acompanhe as notícias pelo blog da ocupação.

http://coletivodebolsistasuefs.blogspot.com/

Professores da rede municipal em luta!

GERMANO-INTERNETReproduzimos aqui o material de propaganda produzido pelos professores da rede municipal de Feira de Santana, em luta desde o ínico do mês. Colocar a diretoria da APLB contra a parede e atropelar a burocracia sindical encastelada na direção do Sindicato há mais de 20 anos está na ordem do dia para que os professores consigam alguma vitória. Na foto ao lado, Germano Barreto “um dos donos do sindicato”.

NÃO VAMOS PAGAR ESSA CONTA!

Nós, trabalhadores da educação, mobilizados há duas semanas gostaríamos de publicizar à sociedade feirense os reais motivos que nos fizeram parar as atividades. Nosso movimento se coloca enquanto possibilidade de apresentar aos diversos setores organizados deste município a verdadeira situação em que se encontra a educação na “Princesa do Sertão”.

Estamos sofrendo há anos diversos ajustes: contratação de funcionários terceirizados sem vínculo empregatício (instabilidade do servidor público); não-incorporação em forma de retroativo das gratificações na mudança de referência dos professores que passaram por estágio probatório; desconsideração das conquistas obtidas pelo plano de carreira do magistério; condições precárias de trabalho; não-clareza do uso das verbas do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) específicas para a melhoria das condições de ensino-aprendizagem nas escolas do município; não-incorporação das demandas apresentadas pelos professores ligados ao plano de carreira.

Em reunião da comissão de mobilização com o executivo municipal no último dia 19/05, o governo municipal, em seu terceiro mandato, alega que a educação no município é uma prioridade. No entanto, o que se percebe é que, passados oito anos de governo José Ronaldo, que apenas sinalizava uma discussão sobre os temas ligados à valorização do magistério, a equipe do atual governo, liderado pelo Senhor Tarcísio Pimenta, tenta utilizar a mesma estratégia, desta vez, apelando para a solidariedade diante da crise. Percebemos que esta mesma solidariedade diante da crise não foi recíproca quando o executivo municipal em consonância com o SINCOL autorizou um aumento arbitrário de 1,85 para 2,00 reais na passagem de ônibus – aumento de pouco mais de 8%, que encontra-se acima da inflação -, tornando a nossa tarifa, na região nordeste, menor apenas que a da cidade de Salvador.

Em determinado momento da reunião, o Prefeito deste município faz a seguinte consideração: “espero que vocês (professores mobilizados) não ajam com radicalidade”. No entanto, cabe-nos informar: a maior radicalidade já vem sendo praticada, quando “ajustes” na área da educação, ao longo dos anos, vêm sendo imposta aos seus trabalhadores e estudantes.

Outro ponto ainda obscuro nas informações dadas pelo executivo municipal está relacionado ao repasse do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica). Segundo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) no art. 69 aponta que: “(…) os Municípios aplicarão anualmente nunca menos que 25%, da receita resultante de impostos”. Ainda, no inciso 1o deste mesmo artigo, indica que: “A parcela da arrecadação de impostos transferidos pela União (…) aos municípios, (…), não será considerada para efeito do cálculo previsto neste artigo”. Contudo, as informações dadas pelo executivo municipal sinalizam que os 25% aplicados já incorporam o repasse da União.

Ainda o executivo apela para a comissão, solicitando que “sejam apontados os caminhos”. Diante do exposto, nossa pauta de reivindicações (supostos caminhos) é a seguinte:

– reajuste imediato de 12% nos salários, em contrapartida à proposta do executivo municipal de 5,6%;

– legitimação do plano de carreira, ponto necessário para a valorização e estabilidade no magistério;

– melhoria nas condições estruturais das escolas da rede municipal com tratamento igualitário;

– transparência nas informações quanto ao uso das verbas do FUNDEB, por meio de audiências públicas;

– agilidade nos enquadramentos dos professores que ocupam vagas reais nas escolas municipais de Feira de Santana, além da concessão imediatas de licenças e mudanças de referência;

– realização em caráter de urgência de um novo concurso para suprir as demandas das escolas da rede;

– reparação das perdas salariais de professores (retroativo) durante o seu pedido de mudança de referência após estágio probatório até o período da sua efetivação;

– detalhamento das contas municipais referentes aos gastos com a educação, além da sua comparação com outros gastos municipais (Micareta, plano de salário dos cargos de confiança, gastos com outras secretarias, entre outros).

Com isso, informamos à sociedade feirense que estamos paralisando para que a educação não tenha que parar. Educação não é mercadoria! Nem um passo a menos! Não vamos pagar essa conta!

Professores Mobilizados da Rede Municipal de Ensino

Feira de Santana, 20 de maio de 2009

Uma frente única de charlatões: Tarcísio, Sincol, Polícia, Igreja e grande mídia unidos contra o povo e os estudantes.

tumulto Logo após as primeiras grandes manifestações contra o abusivo aumento da passagem de transporte coletivo, o Sincol iniciou uma campanha de rádio tentando justificar o injustificável. Segundo os ladrões do Sincol o aumento foi necessário para que o sistema de transporte coletivo possa melhorar. Uma grande mentira e todos sabem disso.

Já a Polícia Militar, que prendeu quatro estudantes na primeira manifestação contra o aumento, ocorrida no dia 28 de abril, com a má repercussão da sua atuação passou a não intervir nos atos posteriores. Até os acontecidos do último dia 21 de maio.

O prefeito Tarcísio Pimenta, incompetente e charlatão de marca maior, mais um daqueles que assumiu o poder graças a grande mentira que é a “democracia dos ricos” nesse país, manteve sua posição de defender a máfia do transporte coletivo encastelada no Sincol. Aqui a fórmula é simples, os empresários que controlam o sistema de transporte público derramam centenas de milhares de reais nas campanhas eleitorais, no caso do atual prefeito e de alguns vereadores, e estes trabalham para eles dando uma cobertura legal para o roubo diário da população de Feira de Santana, com a segunda passagem mais cara do Nordeste e um dos piores serviços do Brasil.

A “grande pequena mídia” de Feira de Santana, nominalmente a incompetente TV Subaé, jornalecos do tipo da Tribuna Feirense e Folha do Estado, Rádios como a Sociedade e a Subaé, e blogs de muito mau gosto como o Blog da Feira e o Bahia Agora espernearam e desesperadamente saíram em defesa da Prefeitura, reproduzindo as absurdas calúnias do Prefeito à Frente Unificada Contra o Aumento e aos estudantes.

Uma novidade deste episódio foi a opinião da Igreja Católica, a mesma Igreja que nunca se posicionou contra o aumento da passagem. Como sempre a Igreja, na verdade seu reacionário alto comando, representado pelo asqueroso arcebispo Dom Itamar Vian, veio a público ser solidário ao prefeito e comprar a versão dos fatos elaborada pelos profissionais da mentira que trabalham para a prefeitura. São posições como estas que explicam o passado manchado de sangue da Igreja Católica.

Imagem 188 Finalizando a história, o que foi um protesto protagonizado por estudantes da UEFS, nominalmente Coletivo Quilombo, Grupo Ousar e DCE-UEFS, com a saída pela direita da AMES e da UJR, exigindo do prefeito a simples marcação de uma audiência para discutir a pauta da Frente Contra o Aumento e que foi tratado literalmente como caso polícia, se tornou, neste espetáculo de mentiras bem arquitetado pela frente única de charlatões, no “seqüestro de Tarcisio” orquestrado por “militantes político-partidários” violentos e enlouquecidos que monitoram e colocam em risco a vida do Prefeito Tarcisio Pimenta. Quanta barbaridade! E são estes, os articuladores de toda essa mentirada, que formam opinião, governam, pregam e mantém a ordem na pacata, porém as vezes rebelde, Feira de Santana.

22 de maio de 2009. Feira de Santana, Bahia.

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