Arquivo para agosto \31\UTC 2009

Santa Bárbara: presente!

Luis Antonio Em 28 de agosto de 1971 caia o “estudante da guerrilha”. Luís Antônio Santa Bárbara foi assassinado, no Buriti Cristalino, em Brotas de Macaúbas no sertão baiano, dentro da casa de José Barreto, pai dos militantes Zequinha, Otoniel e Olderico. O assassinato aconteceu após um grande cerco montado pelos organismos de repressão da ditadura fascista civil-militar para assassinar o capitão Lamarca e seus companheiros Movimento Revolucionário – 8 de Outubro, o MR-8.

O professor Roberto, como era conhecido na região onde o MR-8 pretendia construir um foco de guerrilha rural, iniciou sua militância no movimento estudantil de Feira de Santana, participando da construção dos grêmios estudantis do Colégio Municipal e do Colégio Estadual. Trabalhou como tipógrafo na Gazeta do Povo e em 1967 passou a militar na Dissidência do PCB, em março de 1969 foi preso em frente ao Colégio Estadual e torturado por vários dias no 35° Batalhão de Infantaria (35-BI). Do movimento estudantil Santa Bárbara passou à luta armada, do PCB ao MR-8.

Foi o primeiro a ser deslocado pela organização para a região do Buriti Cristalino e assumiu a tarefa de formar uma escola de alfabetização no povoado, onde poucos sabiam ler. Todas as tardes a casa de José Barreto se enchia de gente para ouvir o professor Roberto. A saga de Luis Antônio foi retratada por Ruy Cerqueira, no livro “Santa Barbara – O estudante da guerrilha”, publicado em 2004 de forma independente.

A fictícia versão oficial diz que Santa Bárbara suicidou-se. Porém, a arma recolhida com ele era um revólver calibre 32 e as balas que o mataram saíram de um calibre 38. Outra contradição está no próprio documento da Polícia Federal na Bahia que afirma que Otoniel e Santa Bárbara foram “abatidos (…) quando reagiram à bala contra a equipe encarregada de capturá-los”. É mais um caso de assassinato que a repressão apresenta como suicídio.

Em 2004 a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, aprovou uma indenização à família baseada na Medida Provisória nº 176, depois transformada em lei, como sendo um caso de “suicídio forçado”.

Santa Bárbara foi mais um lutador do povo assassinado pelas mãos ensagüentadas do Estado brasileiro. Um militante exemplar que dedicou sua vida a causa do povo e morreu por ela.

Estudantes-WN-29-08-03

Memória e rebeldia: manisfetação estudantil no centro de Feira de Santana, no dia 28 de agosto de 2003, homenageia Santa Bárbara.

Feira de todas as lutas e sonhos de libertação!

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EM CADA BEIJO UMA REVOLUÇÃO!

 

stonewall2 A 8° Parada Gay de Feira de Santana, acontece neste domingo, dia 30 de agosto, com concentração a partir das 13hs na Praça de Alimentação da Av. Getúlio Vargas, com o tema “Tire a Homofobia do Ar!”. Durante a semana ocorreu na Universidade Estadual de Feira de Santana o 6° Seminário sobre Diversidade Sexual.   

Organizada pela APGFS e pelo GLICH – Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual essa Parada Gay não deixa de ser um evento questionador, contudo, ainda está distante de representar uma atividade mais consequente para enfrentar a homofobia e os frenquentes assassinatos de travestis e transexuais (não por acaso, geralmente negros e pobres) que ocorrem na cidade,  e se inscreve no marco dos 40 anos da Rebelião de Stonewall, quando, em 28 de junho de 1969, gays, lésbicas e travestis reagiram a uma batida policial no bar Stonewall, em Nova York, dando início a uma rebelião que se estendeu por 4 dias, inaugurando assim,  o Dia Internacional do Orgulho Gay e Lésbico, mostrando que o único caminho possível para garantir direitos é o da luta e da organização.

 Parada Gay 2009    seminario_diversidade

COMPANHEIRO ELTON BRUM ASSASSINADO: MAIS UM CRIME DO SISTEMA!

“Que paso que paso? A policia llego.
Que paso que paso? O semterra murio.”

(Eldorado 1997. Mano Chao) 

Yeda_CrusiusNa manhã da última sexta-feira, 21 de agosto, durante o violento despejo da ocupação na fazenda Southall em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, o companheiro Elton Brum da Silva, do MST-RS, foi covardemente assassinado pelas costas, com um tiro de calibre 12. O suspeito do bárbaro crime é o Tenente Coronel Flávio da Silva Lopes, comandante do 2° Regimento de Polícia Montada de Livramento, da Brigada Militar-RS.

A primeira versão dada pela Brigada Militar e reproduzida pela mídia burguesa e corporativa, foi de que o companheiro Elton Brum teria sofrido um “mal súbito”. Uma grande mentira.

Este é mais um assassinato de um lutador do povo, mais um crime do sistema. Um crime do corrupto governo de Yeda Crusius, do agronegócio e do latifúndio efetuado pelas mãos da repressão, encarnada na Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Um crime do Estado, do capital e do seu braço armado.

Arrancaram mais uma flor do jardim da revolução, mas nossa “primavera é inexorável”. Neste momento cercamos de solidariedade a família de Elton e o MST-RS. Nenhuma bala pode deter nossa luta! Somos todos Sem Terra!

Que descanse em terra coletiva e ocupada companheiro Elton.

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Corpo do companheiro Elton Brum da Silva.

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O suspeito de cometer o assassinato. Tenente Coronel Flávio da Silva Lopes.

A nossa vingança não tarda. Feira de todas as lutas e sonhos de libertação!

Efeito Zumbi no Morro. Selva de Pedra.

CASA DA RESISTÊNCIA: UM CENTRO SOCIAL OCUPADO A SERVIÇO DAS LUTAS POPULARES.

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CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

No dia 28 de abril, militantes do Coletivo Quilombo ocuparam uma casa abandonada, há cerca de 20 anos, no centro da cidade de Feira de Santana. O objetivo geral da ocupação é construir um espaço para a articulação das lutas populares na cidade. Diversos projetos devem funcionar no espaço ocupado, alguns deles já estão sendo iniciados, como o “Círculo de Leitura Luís Antônio Santana Bárbara” um espaço aberto dedicado ao debate, a formação política e a educação popular, a “Biblioteca Social Lucas da Feira” aberta para consultas e empréstimos, a “Oficina de Teatro Solano Trindade” e o “Espaço George Américo” onde já acontecem diversas reuniões e plenárias do Coletivo Quilombo e de outras instâncias. Outros projetos dependem da capitação de recursos e da reforma da casa, como a “Cooperativa de serigrafia, serviços gráficos e comunicação Molotov” e outras atividades como o “Cine-clube Cinema contra o Sistema”.

Esta campanha de solidariedade tem como objetivo levantar os recursos necessários para a reforma da casa e para tocarmos os projetos que citamos acima. Hoje, dos cinco cômodos da casa apenas um possui condições plenas de uso, outros dependem da instalação elétrica e do conserto do telhado. Além disso, o religamento da água e uma nova pintura das paredes também são urgentes. São coisas que aos poucos vamos iniciando, mas que dependem muito de recursos, hoje muito escassos. Por isso, fazemos um apelo aos companheiros e companheiras comprometidos com as lutas populares e que partilham conosco os mesmos sonhos de libertação, para colaborarem financeiramente e a apoiar a Casa da Resistência.

De forma geral acreditamos que este espaço possa servir como uma escola de formação militante e também ajudar na articulação de uma rede das organizações populares combativas, para que possamos num longo prazo construir um projeto de classe a partir das experiências de construção do poder popular, através do protagonismo do povo em luta, da ação direta popular e da auto-organização.

PARA APOIAR

Quem quiser apoiar a Casa da Resistência pode contribuir diretamente com um militante do Coletivo Quilombo ou depositar algum valor na conta abaixo e avisar pelo e-mail: coletivoquilombo@ymail.com

Banco Bradesco – Conta Poupança n° 1003552-0 – Agência 2273-0 – Em nome de Luiz Gabriel Santos de Lacerda.

Saudações rebeldes e quilombolas! Lutar e criar poder popular! Ocupar o mundo!

fonte: coletivoquilombo.blogspot.com

Agosto de 2009.

Entrevista: “As discussões e alternativas de luta que surgiram com o processo de mobilização iniciado no primeiro semestre, subverteram completamente a ordem há muito instituída pelo grupo que compõe a direção da APLB”

Publicamos aqui a entrevista feita com a companheira Ana Verena, professora da rede municipal de educação, para a seção "Trabalhadores em Luta" do periódico popular Combate, que terá sua edição experimental publicada neste mês de agosto.

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Periódico Combate: Companheira, você poderia nos dar um panorama geral das mobilizações dos/as professores/as no primeiro semestre, comentando sobre as condições de trabalho e a situação das escolas da rede municipal hoje?

Ana Verena: É comum ouvirmos o discurso pedagógico conservador de que a vontade de Educar deve prescindir até mesmo as condições mínimas para tal, a atual gestão pública da Educação municipal, seguindo a promessa de um terceiro mandato, resolveu explorar esta máxima em todo o seu potencial, e ser a orquestradora de um “faz de conta” tão pouco convincente que vem desmoronando paulatinamente durante este ano.

A farsa que vinha sendo mantida sob controle explodiu de uma forma coletiva no início do ano letivo de 2009. Escolas sem poder iniciar suas aulas pelas carências mais primárias. Faltavam salas, faltava água, faltavam carteiras, faltava professores, funcionários para as mais variadas funções, faltava merenda escolar, manutenção das precárias instalações. Mas para mostrar a todos que para educar não é preciso nada além de muita imaginação, a então secretária de educação Anaci Bispo Paim pois a funcionar à todo vapor sua fantástica fábrica de ilusões: se falta manutenção das instalações a solução é simples, convoca-se um mutirão entre os pais de alunos para lavar a escola, se falta professores e sobra aluno é porque o bolo não foi bem dividido, que tal mais alunos por professor? Mas não contente em contribuir com o problema histórico da superlotação das salas, que se explica não só pelo excesso de alunos, mas também pelo tamanho inadequado de muitas salas, a secretária resolveu criar mais um problema convocando estagiários para assumir a demanda, que todos sabemos não ser nova, sem firmar com eles qualquer compromisso formal, em outras palavras, estagiários pagando para trabalhar, recebendo com atraso e por conseqüência abrindo um rodízio incessante de professores nas escolas que até o momento não foi sanado.

Para o secretário que a sucedeu, foi preferível se apegar ao honroso argumento de que todos os aprovados no último concurso foram chamados, escamoteando a importante informação de que muitos não assumiram, já que desde o primeiro mandato do ex-prefeito José Ronaldo nunca se fez um concurso público levando em conta as demandas reais de professor e nem a formação do professor recém concursado, trocando em miúdos, professor de história ensinando Educação física, ou de Matemática alfabetizando com o agravante de só receber o valor estipulado pelo plano de carreira para sua formação profissional (graduação ou pós-graduação) após o período probatório de 3 anos sem direito aos valores retroativos.

É muito claro que esse edifício de problemas erigido sobre um alicerce de mentiras não duraria muito tempo de pé. Continuou e continua faltando, desde a água ao professor. Mas um fator novo surge em meio a esta ambiência no momento que içado pela demanda corporativa do reajuste salarial os professores iniciam uma mobilização na qual paulatinamente a socialização das indignações pessoais a respeito das precárias condições de trabalho e descaso generalizado com a educação, vai deixando de ser pano de fundo para dar consistência a luta da categoria. O que se vê a partir deste momento entre os professores municipais de Feira é por um lado o surgimento, ou ressurgimento, das discussões sobre as necessidades de apresentar as nossas reivindicações de uma forma combativa e por outro a percepção de que os nossos problemas são estruturais, não fragmentados, portanto devem ser resolvidos desta forma.

Periódico Combate: Como você enxerga o papel da APLB-Sindicato e da atual direção frente às mobilizações?

Ana Verena: As discussões e alternativas de luta que surgiram com o processo de mobilização iniciado no primeiro semestre, subverteram completamente a ordem há muito instituída pelo grupo que compõe a direção da APLB. Acostumada a conduzir os fóruns de discussão de forma despótica, e de legitimar as ameaças do poder público como argumento para desmobilização. A direção da APLB tem se especializado em estratégias para minar a consolidação da perspectiva combativa e coletiva do movimento, atentando contra os fóruns da categoria, desviando as discussões do viés estrutural que ela tem tomado e deslegitimando as decisões tomadas pelo coletivo, contudo, o descortinamento da posição conservadora e anti-democrática da direção do sindicato, embora a muito fosse uma critica latente entre os professores, é uma conquista determinante para os rumos do movimento.

Periódico Combate: Quais as perspectivas de luta e os desafios da categoria para o próximo período?

Ana Verena: A avaliação feita sobre as perspectivas do movimento é de que ele entra na sua fase mais difícil, visto que por um lado, abraçamos audaciosamente a tarefa de contradizer o discurso falacioso do poder público de que: “A educação na cidade de Feira de Santana é uma prioridade” e por outro, a demanda histórica de remobilizar uma categoria com uma frágil confiança na mobilização coletiva, explicada por uma longa e frustrante trajetória de mobilizações abortadas – vezes pela truculência do estado, vezes pela traição da sua direção – contudo, a continuidade da mobilização até o momento atual, a legitimação massiva da categoria do fortalecimento dos fóruns, as iniciativas de fiscalização de irregularidades por parte dos mobilizados, as denuncias com relação as práticas conservadoras dentro do movimento e a consolidação de uma disputa ideológica pelos rumos do mesmo,tornam otimistas todos aqueles que julgam insustentável as condições atuais da educação municipal.

Agosto de 2009. Feira de todas as lutas e sonhos de libertação!

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