Arquivo para fevereiro \28\UTC 2011

Caveirão e UPP’s na Bahia: o governo Wagner como ante-sala do fascismo

 

 

 

“E os mais de mil meninos e meninas assassinados, também eram pistoleiros do crime organizado?”

Carta do Subcomandante Marcos, EZLN, sobre a “guerra ao narcotráfico” no México, janeiro-fevereiro de 2011.

ESTADOPOLICIAL

Governos de colaboração de classes, como o de Jaques Wagner na Bahia, serviram historicamente para preparar o campo para formas mais violentas de dominação, como o fascismo. Pois bem, em dezembro do ano passado o governador Wagner, na sua escalada por um Estado policial como resposta à questão social, veio a público mais uma vez para anunciar novidades na política de segurança pública da Bahia. Contudo, dessa vez, para além dos freqüentes investimentos volumosos do governo para equipar a Polícia Militar da Bahia (leia-se, aumentar seu poder de repressão), Wagner anunciou que a PM-BA passará a utilizar o carro blindado (Veículo de Apoio Tático) em suas incursões, chamado de “Caveirão” no Rio e apelidado pela polícia baiana de “Miseravão”; e também que adotará o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nas periferias de Salvador, que serão chamadas aqui, ironicamente, de Bases Comunitárias de Segurança. Tarefas assumidas pelo novo secretário de Segurança Pública, Maurício Telles. Essas medidas confirmam o avanço das formas de criminalização da pobreza e da limpeza sócio-racial na Bahia, inseridas no contexto de programas como o PAC e o Pronasci; e na realização dos megaeventos no próximo período, como a Copa do Mundo de 2014.

 

Copa para os ricos. Violência e extermínio para os pobres

A invasão do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro (RJ) pelo BOPE e pelas forças armadas, com ares de barbárie televisionada, foi apenas a ponta do iceberg de uma escalada em nível nacional, sem precedentes, de repressão e criminalização da pobreza e dos movimentos sociais da cidade e do campo. No que tange as cidades, esta ofensiva combinada e orquestrada pelo Estado, pelas elites e sua mídia, se materializa, por exemplo, nas práticas de extermínio por parte das polícias, principalmente da juventude negra nas periferias das grandes cidades, nos cada vez mais freqüentes despejos de ocupações urbanas, nas remoções de comunidades pobres e na perseguição e extermínio da população de rua. Não por acaso, estas práticas se concentram nas cidades que irão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014.

O avanço da política de limpeza dos centros urbanos, funcionando como uma verdadeira “faxina” sócio-racial, segue a velha fórmula de tratar a questão social como caso de polícia, mas se insere nacionalmente num novo contexto de preparação das cidades para os megaeventos do próximo período (Copa e Olimpíadas) e de programas do governo federal como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) que por detrás do discurso social-liberal, de inclusão e cidadania, carregam consigo o projeto perseguido há muito pelas elites brasileiras e assumido pelo governo do PT e seu grande leque de aliados (de sociais-democratas à fascistas) do “Brasil potência”, capaz de levar à cabo as mais sujas tarefas internas e externas, como os sucessivos massacres ao povo haitiano, sob comando da Minustah. Tarefas estas assumidas por um Estado sub-imperialista, que na esfera latino-americana tem em sua agenda o Plano IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana), como complemento aos TLC’s (Tratados de Livre Comércio) em substituição a fracassada tentativa de implantação da ALCA.

É nessa vaga, de ofensiva do Estado e do capital, que se inserem as políticas adotadas pelo governo baiano, em especial a política de segurança pública, que se traduz, principalmente em Salvador, como um verdadeiro genocídio da juventude pobre e preta das periferias da capital, personificado nos covardes assassinatos diários praticados pela polícia que o Estado chama de “auto de resistência”. Política que traduzida em números chega a 1.130 assassinatos em operações policias entre o início do governo Wagner em 2007 e setembro de 2010, segundo o jornal “A Tarde” (25/10/10).

Um Estado cada vez mais policial

LATUFF - O Estado contra a Sociedade (2009) É de conhecimento geral que a Bahia foi governada com mão-de-ferro pela corja Magalhães por 16 anos seguidos, e que esse ciclo de sucessivos governos do carlismo se encerrou com a vitória de Jaques Wagner (PT) ao governo do estado, no 1° turno das eleições de 2006, que foi re-eleito em 2010 para um novo mandato, também no 1° turno. Contudo, contrariando as esperanças de quem acreditou no canto da sereia, o governo do PT permeado por diversos ex-aliados da corja-família-partido-quadrilha do finado Malvadeza deu continuidade a muitos dos métodos utilizados por seus antigos adversários (criminalização das lutas, privatizações…), e com o agravante de ser um governo de colaboração de classes, social-liberal, que se utiliza de diversas formas de cooptação e domesticação de setores populares, diminuindo assim, a capacidade de enfrentamento e resistência dos movimentos sociais.

Serão pelo menos 50 Bases Comunitárias de Segurança até 2012, segundo o próprio governo, que afirma estarem garantidas no total 162 bases através de uma parceira com o Governo Federal e juntamente com a utilização dos “Veículos de Apoio Tático”, se inserem no marco de um programa que o governo Wagner chama cinicamente de “Pacto pela Vida”, inspirado no modelo utilizado pelo Estado terrorista e paramilitar colombiano. O mais irônico (ou trágico) desta história é que a primeira base será instalada no Nordeste de Amaralina, bairro de Salvador onde a polícia baiana assassinou o garoto Joel da Conceição Castro, de apenas 10 anos, em uma ação em novembro de 2010.

O fortalecimento das forças de repressão no estado e a adoção de políticas como a das Bases de Segurança e do “Miseravão”, simbolicamente doado pelo governo do Rio de Janeiro, que é atualmente o laboratório do Estado policial no país, abrem uma possibilidade histórica perigosa para os setores subalternizados, pois, prepara o Estado para responder com repressão e extermínio (como já vem fazendo) de forma ainda mais agressiva as contradições de classe e aos problemas sociais existentes. O que resta é apostar na capacidade de resistência e de auto-organização popular para enfrentar o avanço dos mecanismos de dominação e manutenção da ordem burguesa-estatal-racista na Bahia.

…das trincheiras da guerra de classes.

REFERÊNCIAS:
A continuidade do genocídio negro através da Política Criminal de Segurança Pública na Bahia, por Lio Nzumbi
O terrorismo de Estado e a insegurança pública das ações policiais no Rio de Janeiro, declaração da FARJ
SAIBA MAIS SOBRE O TEMA:
Fórum de Articulação das Lutas nos Territórios Afetados pela Copa 2014 – Salvador [BA] | Comitê da Copa 2014 – Fortaleza [CE] | Comitê Popular da Copa 2014 – Porto Alegre [RS] | Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência [RJ] | Encontro Popular pela Vida e por Outra Segurança Pública | DAR – Desentorpecendo A Razão | Blog da Raquel Rolnik | Rede Megaeventos | Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta

 

 

 

 

 

Postado ao som do Baiana System [2010]

Publicado também no Correio da Cidadania

[Cachoeira] Roça do Ventura tem Tombamento Provisório aprovado

Roca-do-Ventura2 Em outubro do ano passado o empresário Ademir Passos invadiu o Terreiro Zogbodo Male Bogum Seja Unde mais conhecido como Roça do Ventura, localizado em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. Desde então, além de ter destruído parte da mata e soterrado a lagoa de Nanã, o empresário está construindo um galpão na área. Ele já fora embargado duas vezes pelo IPHAN mas não parou as obras.

No dia 10 de janeiro o IPHAN publicou no diário oficial da união o tombamento provisório do Terreiro. Para que seja liberado o tombamento oficial, é necessário apenas o laudo do antropólogo Ordep Serra, garantindo assim o reconhecimento da Roça do Ventura por parte do Estado, para que seja garantida a sua proteção e conservação.

Enquanto o processo corre, a resistência de mais de 200 anos de existência da Roça do Ventura continua. Além de grande manifestação realizada em Cachoeira na semana da consciência negra em novembro passado, o Terreiro está passando por uma reforma bancada com recursos próprios.

Saiba mais: Editorial Anterior | Fotos da Destruição do Terreiro

Fonte: Centro de Mídia Independente

[Cultura] Trilogia do Reggae lança CD dia 24/02 no CCAM

capa Cercado de muita expectativa, o CD da Trilogia do Reggae, formada por Dionorina, Gilsam e Jorge de Angélica, finalmente será lançado no dia 24 de fevereiro, às 20h30, no teatro de arena do Centro de Cultura Amélio Amorim. O show faz uma síntese da trajetória destes artistas identificados com as manifestações de raízes africanas, especialmente a música reggae, no bairro Rua Nova.

O trabalho despertou as atenções do público e motivou a produção de um documentário sobre a história dos três personagens, por iniciativa da Universidade Estadual de Feira de Santana. Realizado pelos experientes cineastas Volney Menezes e Johny Guimarães, conquistou prêmio de nível internacional no III Bahia Afro Film Festival, realizado no ano passado, em Cachoeira.

O show estreou em outubro de 2009, no teatro de arena do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca) e caiu nas graças do público no Carnaval de Salvador e depois no Pelourinho, além da escolha como melhor atração local da Micareta de Feira de Santana, pela Revista Alternativa.

Os primeiros mil ingressos vendidos darão direito ao CD, acesso ao show, além do documentário de brinde.

Fonte: Feira Coletivo Cultural

[Feira] Trabalhadores da construção civil em luta!

Operários da construção civil fazem manifestação e paralisam obras na cidade

Por Andréa Trindade

2912-3 A paralisação se estendeu pelas obras da Pedra do Descanso, Iguatemi, Fraga Maia e Quinta do Sol e deverá durar até a próxima reunião entre operários e representantes das construtoras .

Todas as obras de grandes construtoras na cidade foram paralisadas na manhã desta terça-feira (15), em Feira de Santana,  por causa de um movimento realizado por cerca de 700  trabalhadores da construção civil que protestam em prol de reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

De acordo com Martins de Jesus Bastos, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil,  houve dez rodadas de negociações, sem sucesso. Em uma delas um  representante do Ministério Público do Trabalho propôs  ao sindicato patronal um reajuste de 11,7%, que não foi aceito, uma vez que os trabalhadores querem de 15% a  20%.

A paralisação se estendeu pelas obras da Pedra do Descanso, Iguatemi, Fraga Maia e Quinta do Sol e deverá durar até a reunião entre operários e representantes das construtoras  na próxima quinta-feira (17).

Fonte: www.acordacidade.com.br

‘A Tarde’ demite repórter após pressão de grupo imobiliário

liberdade-de-expressao Série de reportagens de A Tarde sobre a Tecnovia teria desagradado empresários e anunciantes do veículo.

O Jornal A Tarde, da Bahia, demitiu na terça-feira (08/02) o repórter Aguirre Peixoto. Segundo fontes do veículo, a demissão teria ocorrido por pressão de um poderoso grupo do mercado imobiliário de Salvador, após uma série de reportagens que teria desagradado aos empresários. Por causa das matérias, o jornal teria perdido anunciantes do setor, que exigiram a demissão do repórter.
A decisão causou indignação entre os profissionais do jornal baiano, que produziram uma carta aberta em repúdio à demissão do colega. No documento, eles afirmam que "Aguirre Peixoto teve a cabeça entregue em uma bandeja de prata a empresas do mercado imobiliário em uma tentativa de atração/reaproximação com anunciantes deste setor".
Para os jornalistas, "é de se estranhar que uma empresa que se coloca como defensora da cidadania aja de tão vil maneira contra um de seus melhores profissionais".

Continue lendo…

Fonte: Agência Brasil de Fato

Os métodos democráticos e humanistas da Polícia Militar da Bahia

Trilha: Pavilhao 9 – otarios fardados.mp3

Não confio na polícia, raça do caralho…

…já avisava Mano Brown em Homem na Estrada.


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