Archive for the 'análises' Category

Culpa no cartório. É dada a largada para a corrida de ratos

tarcizio_ronaldo_blog Essa semana, duas notícias importantes rodam o mundo da politicagem burguesa e oligárquica em Feira de Santana. A primeira é sobre o atual prefeito Tarcízio Suzart Pimenta (DEM), com a instauração de um procedimento administrativo no Ministério Público Federal (MPF), por iniciativa da bancada de oposição na Câmara de Vereadores, que pede a prisão preventiva do prefeito e a indisponibilidade dos seus bens, assim como, da primeira dama e deputada estadual Graça Pimenta (PR). As denúncias apresentadas pela oposição contra o prefeito envolvem o caso do Banco Subaé Brasil e os saques de mais de 1 milhão de reais feitos pelo seu ex-motorista, e também, a incompatibilidade da sua declaração de bens feita em 2008, além da existência de “contas vip” com altas movimentações financeiras, sendo a primeira dama titular de uma dessas contas.           

A outra notícia envolve o ex-prefeito José Ronaldo de Carvalho, também do DEM. Ronaldo foi convocado pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, para explicar o repasse de recursos para oito entidades de Feira de Santana, quando era prefeito. Entre as entidades estão a “Loja Maçônica 16 de Junho”, e outra desconhecida, chamada de “Projetos de Futuro Social e Desportos”.

Entre os dois, o atual e o ex-prefeito, muito coisa em comum. Os indícios de corrupção são claros, nas duas partes. O mesmo partido, o mesmo lado na trincheira de classes, o modo fascista de governar e a corrupção como modus operandi, mas uma guerra de bastidores pela sucessão municipal em 2012. Nesse rio muita água ainda vai correr e a torcida é para dessa batalha não sobre ninguém vivo. rat_race_blog

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Caveirão e UPP’s na Bahia: o governo Wagner como ante-sala do fascismo

 

 

 

“E os mais de mil meninos e meninas assassinados, também eram pistoleiros do crime organizado?”

Carta do Subcomandante Marcos, EZLN, sobre a “guerra ao narcotráfico” no México, janeiro-fevereiro de 2011.

ESTADOPOLICIAL

Governos de colaboração de classes, como o de Jaques Wagner na Bahia, serviram historicamente para preparar o campo para formas mais violentas de dominação, como o fascismo. Pois bem, em dezembro do ano passado o governador Wagner, na sua escalada por um Estado policial como resposta à questão social, veio a público mais uma vez para anunciar novidades na política de segurança pública da Bahia. Contudo, dessa vez, para além dos freqüentes investimentos volumosos do governo para equipar a Polícia Militar da Bahia (leia-se, aumentar seu poder de repressão), Wagner anunciou que a PM-BA passará a utilizar o carro blindado (Veículo de Apoio Tático) em suas incursões, chamado de “Caveirão” no Rio e apelidado pela polícia baiana de “Miseravão”; e também que adotará o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nas periferias de Salvador, que serão chamadas aqui, ironicamente, de Bases Comunitárias de Segurança. Tarefas assumidas pelo novo secretário de Segurança Pública, Maurício Telles. Essas medidas confirmam o avanço das formas de criminalização da pobreza e da limpeza sócio-racial na Bahia, inseridas no contexto de programas como o PAC e o Pronasci; e na realização dos megaeventos no próximo período, como a Copa do Mundo de 2014.

 

Copa para os ricos. Violência e extermínio para os pobres

A invasão do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro (RJ) pelo BOPE e pelas forças armadas, com ares de barbárie televisionada, foi apenas a ponta do iceberg de uma escalada em nível nacional, sem precedentes, de repressão e criminalização da pobreza e dos movimentos sociais da cidade e do campo. No que tange as cidades, esta ofensiva combinada e orquestrada pelo Estado, pelas elites e sua mídia, se materializa, por exemplo, nas práticas de extermínio por parte das polícias, principalmente da juventude negra nas periferias das grandes cidades, nos cada vez mais freqüentes despejos de ocupações urbanas, nas remoções de comunidades pobres e na perseguição e extermínio da população de rua. Não por acaso, estas práticas se concentram nas cidades que irão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014.

O avanço da política de limpeza dos centros urbanos, funcionando como uma verdadeira “faxina” sócio-racial, segue a velha fórmula de tratar a questão social como caso de polícia, mas se insere nacionalmente num novo contexto de preparação das cidades para os megaeventos do próximo período (Copa e Olimpíadas) e de programas do governo federal como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) que por detrás do discurso social-liberal, de inclusão e cidadania, carregam consigo o projeto perseguido há muito pelas elites brasileiras e assumido pelo governo do PT e seu grande leque de aliados (de sociais-democratas à fascistas) do “Brasil potência”, capaz de levar à cabo as mais sujas tarefas internas e externas, como os sucessivos massacres ao povo haitiano, sob comando da Minustah. Tarefas estas assumidas por um Estado sub-imperialista, que na esfera latino-americana tem em sua agenda o Plano IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana), como complemento aos TLC’s (Tratados de Livre Comércio) em substituição a fracassada tentativa de implantação da ALCA.

É nessa vaga, de ofensiva do Estado e do capital, que se inserem as políticas adotadas pelo governo baiano, em especial a política de segurança pública, que se traduz, principalmente em Salvador, como um verdadeiro genocídio da juventude pobre e preta das periferias da capital, personificado nos covardes assassinatos diários praticados pela polícia que o Estado chama de “auto de resistência”. Política que traduzida em números chega a 1.130 assassinatos em operações policias entre o início do governo Wagner em 2007 e setembro de 2010, segundo o jornal “A Tarde” (25/10/10).

Um Estado cada vez mais policial

LATUFF - O Estado contra a Sociedade (2009) É de conhecimento geral que a Bahia foi governada com mão-de-ferro pela corja Magalhães por 16 anos seguidos, e que esse ciclo de sucessivos governos do carlismo se encerrou com a vitória de Jaques Wagner (PT) ao governo do estado, no 1° turno das eleições de 2006, que foi re-eleito em 2010 para um novo mandato, também no 1° turno. Contudo, contrariando as esperanças de quem acreditou no canto da sereia, o governo do PT permeado por diversos ex-aliados da corja-família-partido-quadrilha do finado Malvadeza deu continuidade a muitos dos métodos utilizados por seus antigos adversários (criminalização das lutas, privatizações…), e com o agravante de ser um governo de colaboração de classes, social-liberal, que se utiliza de diversas formas de cooptação e domesticação de setores populares, diminuindo assim, a capacidade de enfrentamento e resistência dos movimentos sociais.

Serão pelo menos 50 Bases Comunitárias de Segurança até 2012, segundo o próprio governo, que afirma estarem garantidas no total 162 bases através de uma parceira com o Governo Federal e juntamente com a utilização dos “Veículos de Apoio Tático”, se inserem no marco de um programa que o governo Wagner chama cinicamente de “Pacto pela Vida”, inspirado no modelo utilizado pelo Estado terrorista e paramilitar colombiano. O mais irônico (ou trágico) desta história é que a primeira base será instalada no Nordeste de Amaralina, bairro de Salvador onde a polícia baiana assassinou o garoto Joel da Conceição Castro, de apenas 10 anos, em uma ação em novembro de 2010.

O fortalecimento das forças de repressão no estado e a adoção de políticas como a das Bases de Segurança e do “Miseravão”, simbolicamente doado pelo governo do Rio de Janeiro, que é atualmente o laboratório do Estado policial no país, abrem uma possibilidade histórica perigosa para os setores subalternizados, pois, prepara o Estado para responder com repressão e extermínio (como já vem fazendo) de forma ainda mais agressiva as contradições de classe e aos problemas sociais existentes. O que resta é apostar na capacidade de resistência e de auto-organização popular para enfrentar o avanço dos mecanismos de dominação e manutenção da ordem burguesa-estatal-racista na Bahia.

…das trincheiras da guerra de classes.

REFERÊNCIAS:
A continuidade do genocídio negro através da Política Criminal de Segurança Pública na Bahia, por Lio Nzumbi
O terrorismo de Estado e a insegurança pública das ações policiais no Rio de Janeiro, declaração da FARJ
SAIBA MAIS SOBRE O TEMA:
Fórum de Articulação das Lutas nos Territórios Afetados pela Copa 2014 – Salvador [BA] | Comitê da Copa 2014 – Fortaleza [CE] | Comitê Popular da Copa 2014 – Porto Alegre [RS] | Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência [RJ] | Encontro Popular pela Vida e por Outra Segurança Pública | DAR – Desentorpecendo A Razão | Blog da Raquel Rolnik | Rede Megaeventos | Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta

 

 

 

 

 

Postado ao som do Baiana System [2010]

Publicado também no Correio da Cidadania

Reprimir as lutas populares e criminalizar a pobreza são os verdadeiros objetivos do armamento da Guarda Municipal e do “Toque de Acolher”

A ofensiva combinada dos governos, das elites e da grande mídia para reprimir as lutas sociais e criminalizar a pobreza vem ocorrendo em diversas regiões do país há certo tempo. Nesta breve análise, pontuamos como a transformação da Guarda Municipal em uma força policial subordinada ao executivo municipal e o projeto de lei fascista apresentado na Câmara Municipal, chamado ironicamente de “Toque de Acolher”, fazem parte de um processo de avanço da criminalização e da repressão em Feira de Santana.

O armamento da Guarda e as intenções repressivas

foro-vs-la-represion1 O prefeito Tarcísio Pimenta (DEM) anunciou no dia 17 de março, durante a abertura do I Congresso das Guardas Municipais do Estado da Bahia, realizado em Feira de Santana, a aquisição de carros, motocicletas e coletes à prova de balas, para equipar a Guarda Municipal. Condecorado como “amigo da Guarda Municipal” e seguindo a nova política de segurança do governo municipal, que se concretizou com a criação da “Secretaria de Prevenção à Violência e Direitos Humanos”, o prefeito anunciou também uma parceria com a Polícia Federal (PF) para o armamento da Guarda Municipal com a aquisição de 200 pistolas automáticas e de outra parceria com organizações policiais como o BOPE do Rio de Janeiro, a SWATT dos EUA e o Centro Avançado em Técnicas de Imobilização (CATI), para o treinamento (que já começou!) de Guardas Municipais.

Tratada como uma medida de “combate à violência”, a transformação da Guarda Municipal em uma força policial tem por detrás de si a intenção de criar um instrumento de repressão que esteja diretamente subordinado as vontades do governo municipal, particularmente do prefeito Tarcísio Pimenta. Reprimir os movimentos sociais e os lutadores do povo é a verdadeira intenção do prefeito e da cúpula do seu governo, que foi recebido no início de seu governo (em 2009) pelos movimentos sociais com diversas lutas combativas, atos de rua radicalizados e ocupações, tendo destaque as lutas do movimento estudantil e do movimento sem teto.

Somado a essa medida do governo municipal, a política de segurança pública estadual de Jaques Wagner (PT) baseada no investimento em repressão, principalmente na Polícia Militar (PM) e os diversos episódios de criminalização, repressão e assassinatos a mandos dos governos e das elites fazem parte de uma escalada repressiva no estado da Bahia, inserida na ofensiva de criminalização das lutas sociais e da pobreza que acontece também em nível nacional, com destaque para a repressão ao MST e aos que lutam pelo direito a terra.

O “toque de acolher” e a criminalização da pobreza

 A ação de grupos de extermínio em Feira de Santana não é mais nenhuma novidade, assim como, não é novidade que são policiais militares fora de serviço os protagonistas da maioria desses crimes e que são jovens negros, moradores das periferias e favelas de Feira de Santana, muitos deles menores de idade, as principais vítimas desses grupos.

Contudo, como sempre, a política dos diversos governos para “combater a violência” é criar mecanismos de repressão. Jogar os pobres que desafiam as “leis instituídas pela sociedade” em presídios lotados ou simplesmente matar a “vagabundagem” tem sido a política de segurança adotada. E Em Feira de Santana isso não é diferente, pois o discurso hipócrita de “paz pela paz” serve apenas para esconder que o problema da violência está na verdade relacionado aos problemas estruturais do capitalismo como a falta de trabalho, educação, saúde, moradia, etc.

20070725-Reduction_of_age_of_majority_by_Latuff2O projeto de lei que institui o chamado “Toque de Acolher”, foi apresentado na Câmara Municipal pelo patético vereador Luiz Augusto de Jesus, “vulgo” Lulinha da Conceição (DEM). Dotado de requintes fascistas e apoiado até mesmo por vereadores da oposição, como Marialvo Barreto (PT), o projeto de Lulinha é baseado em outros que já funcionam em cidades do interior de São Paulo e da Bahia, como Santo Estevão, e prevê o “recolhimento de crianças e adolescentes das ruas a partir das 20h30 (até 12 anos) e a partir das 23 horas (dos 12 aos 17 anos) até as 5 horas, que estejam sem a companhia dos pais ou responsáveis. Os pais que descumprirem a lei serão advertidos em um primeiro momento e em caso de reincidência serão penalizados com multas que variam de um a dez salários mínimos.”

Combater a criminalidade, o tráfico de drogas, o aliciamento de menores são os motivos apresentados pelos moralistas defensores do projeto, mas as verdadeiras intenções do toque de recolher fascista é cercear a liberdade da juventude e seu direito de ir e vir, ao mesmo tempo em que se criminaliza ainda mais a pobreza. E fica uma pergunta: o que será feito com as crianças e adolescentes, muitas delas viciadas em crack, que vagam todas as madrugadas nas ruas do centro de Feira de Santana? Se aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito Tarcísio Pimenta o “Toque de Acolher” será uma verdadeira lei anti-juventude.

Sindicalistas de Porto Seguro foram assassinados por quadrilha liderada pelo prefeito Gilberto Abade (PSB)

assassinato-2 Em novembro do ano passado (no boletim Estratégia Libertária, n° 01) denunciamos os assassinatos dos professores, Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira, ocorridos em setembro de 2009, como um crime do governo corrupto e assassino de Gilberto Abade, do PSB de Porto Seguro, no sul da Bahia.

Álvaro Henrique, era presidente da APLB-Porto Seguro e Elisney, secretário do sindicato, ambos estavam envolvidos na greve dos professores da rede municipal de educação de Porto Seguro, que reivindicava melhores salários para os profissionais da educação e denunciava a situação precária das escolas e a corrupção no governo do prefeito Gilberto Abade, quando foram assassinados.

Apesar da mobilização de professores e organizações populares de Porto Seguro, as investigações foram lentas e superficiais, mas vieram a confirmar o crime político. O agora exonerado secretário de Governo e Comunicação, Edésio Dantas Lima, homem-forte, braço direito do prefeito Gilberto Abade e também secretário-geral da executiva estadual do PSB baiano, está preso como mandante do crime. Os policiais militares Sandoval Barbosa dos Santos, Geraldo Silva de Almeida e Joilson Rodrigues Barbosa, que participaram do crime, também se encontram detidos. Mais dois policiais militares envolvidos no crime estão foragidos, Antonio Andrade dos Santos Junior e Danilo Costa Leite. O motorista da prefeitura e traficante de drogas, Antônio Marcos Carvalho, vulgo “Pequeno”, também envolvido no crime foi assassinado na prisão, numa queima de arquivo, assim como, o “pistoleiro” Rodrigo Santos Ramos, conhecido como “Terceiro”.

A conclusão deste caso, mais um onde lutadores do povo são assassinados covardemente, nos leva a conclusão que o prefeito Gilberto Abade (com o aval e conivência do PSB) é o comandante de uma quadrilha da qual o ex-secretário Edésio Dantas também faz parte, juntamente com PMs, traficantes e pistoleiros, e são os responsáveis diretos por crimes como corrupção, tráfico de drogas e extermínio de pessoas. Ou seja, além do ex-secretário o atual prefeito também é um dos mandantes dos assassinatos dos professores e dirigentes sindicais Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira.

Enquanto anarquistas, acreditamos que é uma obrigação de todas as organizações e lutadores/as comprometidos/as com a causa do povo denunciar esse crime. Já sabemos que nenhuma confiança pode ser depositada na justiça burguesa e defendemos que a auto-organização da classe trabalhadora é o único caminho para resistir aos crimes de Estado (ou para-estatais). Devemos responder a todos os ataques através de instrumentos próprios de auto-defesa, construídos dentro dos movimentos sociais classistas e combativos, utilizando o princípio da justiça popular.

ABADE Gilberto Abade, “socialista” do PSB, prefeito de Porto Seguro, evangélico e comandante de quadrilha. 

Análise produzida para o grupo anarquista organizado Vermelho e Negro, de Feira de Santana – Bahia.

Apontamentos sobre a conjuntura eleitoral na Bahia

O jogo eleitoral na Bahia e a volta dos que não foram

casadocordel.blogspot.com

“ …entre ‘lulistas genéricos’ e ‘carlistas transgênicos’ o novo governo de turno que será eleito em 2010, manterá a velha fórmula clientelista e patrimonialista de governar, para orgulho do Malvadeza, que lá do inferno segue orgulhoso dos amigos (e também dos ‘inimigos’) que deixou na Bahia.”

Leia o texto completo em:

http://vermelhoenegrofao.wordpress.com/

O crime dos ricos e a crise dos pobres. O crack da bolsa e o crack da boca.

 

esp_crise_banner_150Na última semana duas notícias relacionadas aos impactos da chamada “crise financeira mundial” em Feira de Santana chamaram atenção. A primeira foi a divulgação dos dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sobre as demissões na cidade. Segundo o MTE, 337 postos de trabalho foram fechados no mês de abril em Feira de Santana, as demissões se concentraram principalmente no setor produtivo, nos serviços industriais e no comércio.

Outro fato que também chamou atenção foi uma enorme fila formada em frente à Casa do Trabalhador, lembrando aquelas da grande depressão de 1929. O motivo da fila foi o boato, que logo se descobriu ser falso, sobre a abertura de 500 postos de trabalho na cidade.

O objetivo deste artigo é pontuar alguns elementos sobre o que o inimigo de classe, ou seja, os capitalistas, seus governos e sua mídia, não por acaso chamam de “crise” e que na verdade deveria ser chamada de “natureza criminal do sistema capitalista”, assim como, as conseqüências dessa nova ofensiva dos poderosos sobre o povo pobre e a classe trabalhadora, em particular, na princesa comercial, na cidade-encruzilhada.

Operando o crime

A operação desse “novo crime” dos capitalistas, ou seja, da “crise” que eles construíram, é algo que nos seus detalhes se torna de difícil compreensão, mas que grosso modo, parte da mesma premissa de sempre: a necessidade que este sistema possui de aumentar seus níveis de dominação, opressão e exploração, como método de se perpetuar e garantir assim seus níveis de hegemonia.

A bolha imobiliária dos EUA, as quedas nas bolsas de valores em todo o mundo, a falência de grandes empresas, a derrama de dinheiro público nos bolsos dos grandes capitalistas de um lado e o arrocho para os trabalhadores de outro, são as imagens mais comuns da tal “crise”. Contudo, entender este processo complexo que envolve o Sistema Swift, as TICs e as transações financeiras de derivativos, nos leva à um única conclusão possível: a intencionalidade criminosa do sistema na produção dessa nova “crise”. E esta conclusão, nos conduz a uma polêmica, nominalmente, com os métodos marxistas de análise: está crise não é de superprodução, ou uma crise cíclica do capital que se enquadra no determinismo das “leis do pensamento econômico”, como disse, é um fenômeno muito mais complexo.

O povo pobre sempre esteve em crise

E enquanto os ricos promovem mais uma ofensiva combinada nos campos da ideologia, da economia e da política, esta crise não é novidade do lado de cá. Para o povo oprimido “viver em crise” não é nenhuma novidade. Em Feira de Santana, dominada pela mão-de-ferro de uma oligarquia paternalista, associada às máfias como a do transporte coletivo, da grilagem e especulação imobiliária, uma burguesia comercial já há muito firmada e um setor industrial crescente, a realidade vivida às margens, onde a “crise” não é surpresa alguma, é como em todas as grandes cidades do país. Nas nossas periferias e quebradas são as relações que envolvem o crack, o ferro, o sangue-no-olho, as proto-milícias (os populares grupos de extermínio) e a polícia corrupta que definem quem vive e quem morre, ou seja, na favela “a mãe que vai chorar” é só mais uma, que chora por um crime premeditado e necessário para a reprodução e perpetuação do sistema.

E enquanto a jogatina política do PT, PMDB, DEM, PSDB e das legendas de aluguel vai se costurando nos bastidores para a sucessão do ano que vem ao Palácio de Ondina, Assembléia e Câmara de deputados, serviços como a saúde pública e a educação são cada vez mais precários e que combinados com o aumento do desemprego, vão fazendo da princesa comercial, que outrora dizia-se que não seria afeta pelo crise, exatamente por seu caráter comercial, na campeã em concentração de riqueza e de extermínio do povo pobre.

1° de junho de 2009.

Feira de Santana, a Terra de Lucas.

Das trincheiras da guerra de classes!

Sobre este tema, indicamos:

Estratégia e Análise: A intencionalidade do capitalismo é o crime quase suicida

Discurso da Federação Anarquista Gaúcha sobre conjuntura no 1° de Maio de 2009

Uma frente única de charlatões: Tarcísio, Sincol, Polícia, Igreja e grande mídia unidos contra o povo e os estudantes.

tumulto Logo após as primeiras grandes manifestações contra o abusivo aumento da passagem de transporte coletivo, o Sincol iniciou uma campanha de rádio tentando justificar o injustificável. Segundo os ladrões do Sincol o aumento foi necessário para que o sistema de transporte coletivo possa melhorar. Uma grande mentira e todos sabem disso.

Já a Polícia Militar, que prendeu quatro estudantes na primeira manifestação contra o aumento, ocorrida no dia 28 de abril, com a má repercussão da sua atuação passou a não intervir nos atos posteriores. Até os acontecidos do último dia 21 de maio.

O prefeito Tarcísio Pimenta, incompetente e charlatão de marca maior, mais um daqueles que assumiu o poder graças a grande mentira que é a “democracia dos ricos” nesse país, manteve sua posição de defender a máfia do transporte coletivo encastelada no Sincol. Aqui a fórmula é simples, os empresários que controlam o sistema de transporte público derramam centenas de milhares de reais nas campanhas eleitorais, no caso do atual prefeito e de alguns vereadores, e estes trabalham para eles dando uma cobertura legal para o roubo diário da população de Feira de Santana, com a segunda passagem mais cara do Nordeste e um dos piores serviços do Brasil.

A “grande pequena mídia” de Feira de Santana, nominalmente a incompetente TV Subaé, jornalecos do tipo da Tribuna Feirense e Folha do Estado, Rádios como a Sociedade e a Subaé, e blogs de muito mau gosto como o Blog da Feira e o Bahia Agora espernearam e desesperadamente saíram em defesa da Prefeitura, reproduzindo as absurdas calúnias do Prefeito à Frente Unificada Contra o Aumento e aos estudantes.

Uma novidade deste episódio foi a opinião da Igreja Católica, a mesma Igreja que nunca se posicionou contra o aumento da passagem. Como sempre a Igreja, na verdade seu reacionário alto comando, representado pelo asqueroso arcebispo Dom Itamar Vian, veio a público ser solidário ao prefeito e comprar a versão dos fatos elaborada pelos profissionais da mentira que trabalham para a prefeitura. São posições como estas que explicam o passado manchado de sangue da Igreja Católica.

Imagem 188 Finalizando a história, o que foi um protesto protagonizado por estudantes da UEFS, nominalmente Coletivo Quilombo, Grupo Ousar e DCE-UEFS, com a saída pela direita da AMES e da UJR, exigindo do prefeito a simples marcação de uma audiência para discutir a pauta da Frente Contra o Aumento e que foi tratado literalmente como caso polícia, se tornou, neste espetáculo de mentiras bem arquitetado pela frente única de charlatões, no “seqüestro de Tarcisio” orquestrado por “militantes político-partidários” violentos e enlouquecidos que monitoram e colocam em risco a vida do Prefeito Tarcisio Pimenta. Quanta barbaridade! E são estes, os articuladores de toda essa mentirada, que formam opinião, governam, pregam e mantém a ordem na pacata, porém as vezes rebelde, Feira de Santana.

22 de maio de 2009. Feira de Santana, Bahia.

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